7 Sinais de Insuficiencia Renal em Gatos que Todo Tutor Precisa Conhecer

A Doença Renal Crônica em Gatos: Os 7 Sinais de Alerta que Todo Tutor Deve Conhecer

Por Dra. Ana Paula Buiati – Médica-Veterinária Nefro-Intensivista, Pós-graduada em Nefrologia e Urologia Veterinária.
STI Veterinária – Uberlândia, MG.

A Doença Renal Crônica (DRC) é uma das doenças mais comuns em gatos de meia-idade e idosos. Estudos mostram que ela pode afetar até 1 em cada 3 gatos com mais de 10 anos, e esse número sobe para aproximadamente 50% dos animais acima de 15 anos.

Apesar de ser extremamente frequente, a doença costuma ser diagnosticada tardiamente porque os sinais clínicos geralmente aparecem somente quando cerca de 75% da função renal já foi perdida.

Por esse motivo, a DRC é conhecida como a “assassina silenciosa” da medicina veterinária. Reconhecer os primeiros sinais pode fazer toda a diferença entre um diagnóstico precoce, quando ainda há muitas opções terapêuticas, e um paciente que chega ao veterinário já em crise urêmica.


Por que os rins são tão importantes?

Os rins desempenham funções essenciais para a sobrevivência do organismo:

  • Filtram o sangue;
  • Eliminam resíduos metabólicos como ureia e creatinina;
  • Controlam o equilíbrio de água e eletrólitos;
  • Auxiliam no controle da pressão arterial;
  • Produzem eritropoietina, hormônio responsável pela formação dos glóbulos vermelhos.

Quando os rins deixam de funcionar adequadamente, todos esses sistemas são comprometidos simultaneamente, explicando a grande variedade de sintomas observados na insuficiência renal.


Os 7 sinais de alerta da insuficiência renal em gatos

1. Vômitos frequentes

O acúmulo de toxinas urêmicas irrita o estômago e estimula o centro do vômito no cérebro. Muitos gatos passam a vomitar espuma branca ou amarelada, principalmente quando estão em jejum.

Além do desconforto, o vômito recorrente provoca perda de líquidos e eletrólitos, favorecendo a desidratação e acelerando a progressão da doença.

2. Perda de apetite (Hiporexia ou Anorexia)

A uremia causa náuseas constantes, altera o paladar e pode provocar inflamações na cavidade oral. Como consequência, o gato perde o interesse pela alimentação.

Atenção: gatos que permanecem mais de 24 a 48 horas sem comer podem desenvolver lipidose hepática, uma grave doença do fígado que agrava ainda mais o quadro clínico.

3. Emagrecimento progressivo

A combinação entre falta de apetite, vômitos e aumento da degradação muscular leva à perda gradual de peso.

Nos estágios mais avançados é comum notar redução importante da massa muscular, principalmente na coluna e nas escápulas.

4. Sede excessiva (Polidipsia)

Os rins comprometidos perdem a capacidade de concentrar adequadamente a urina. Para compensar essa deficiência, o organismo estimula um aumento do consumo de água.

Muitos tutores relatam que o gato passou a beber água com muito mais frequência.

5. Urinar em grande quantidade (Poliúria)

Além de beber mais água, o gato também passa a produzir maior volume de urina.

Nos estágios iniciais da doença, esse pode ser o único sinal presente e frequentemente passa despercebido.

Uma densidade urinária inferior a 1,035 merece investigação renal.

6. Letargia e fraqueza

O acúmulo de toxinas no sangue afeta músculos e sistema nervoso, causando:

  • Apatia;
  • Sonolência excessiva;
  • Fraqueza;
  • Redução das atividades habituais.

A anemia decorrente da menor produção de eritropoietina agrava ainda mais esse quadro.

7. Mau hálito com cheiro de amônia

Quando a ureia está muito elevada, parte dela é transformada em amônia pelas bactérias da boca.

O resultado é um hálito com odor semelhante ao de urina ou amônia, geralmente associado aos estágios mais avançados da doença renal.


⚠️ Sinal de emergência

Se o seu gato parou de urinar ou está urinando apenas em pequenas gotas, procure atendimento veterinário imediatamente.

A obstrução urinária, especialmente em gatos machos, pode evoluir rapidamente para insuficiência renal aguda e colocar a vida do animal em risco em poucas horas.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da Doença Renal Crônica é realizado por meio da associação entre exames laboratoriais e exames de imagem.

Os principais exames incluem:

  • Creatinina;
  • Ureia;
  • Fósforo;
  • Potássio;
  • Sódio;
  • Densidade urinária;
  • Relação proteína/creatinina urinária (UPC);
  • Ultrassonografia renal.

Outro exame extremamente importante é o SDMA (Dimetilarginina Simétrica), biomarcador capaz de detectar perda da função renal até 17 meses antes do aumento da creatinina em muitos pacientes.


Estadiamento da Doença Renal Crônica (IRIS)

Estágio 1

  • Creatinina inferior a 1,6 mg/dL;
  • Normalmente sem sintomas;
  • Detectado apenas por exames.

Estágio 2

  • Creatinina entre 1,6 e 2,8 mg/dL;
  • Sinais discretos ou ausentes;
  • Dieta específica e monitoramento são fundamentais.

Estágio 3

  • Creatinina entre 2,9 e 5,0 mg/dL;
  • Sintomas moderados a intensos;
  • Necessidade de tratamento clínico contínuo.

Estágio 4

  • Creatinina acima de 5,0 mg/dL;
  • Uremia grave;
  • Prognóstico reservado;
  • Hemodiálise pode ser indicada como terapia de suporte.

Quando a hemodiálise é indicada?

A hemodiálise veterinária não é exclusiva para cães.

Gatos com insuficiência renal aguda grave ou Doença Renal Crônica em estágio avançado podem se beneficiar do procedimento, conforme avaliação individual realizada por um médico-veterinário especializado.


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A Dra. Ana Paula Buiati realiza atendimento presencial em Uberlândia (MG) e telemedicina para todo o Brasil, sempre em conjunto com o médico-veterinário responsável pelo paciente.

Agendamentos: WhatsApp da STI Veterinária.


Sobre a autora

A Dra. Ana Paula Buiati é médica-veterinária nefro-intensivista, fundadora e diretora clínica da STI Veterinária.

É pós-graduada em Nefrologia e Urologia Veterinária, possui capacitações em Medicina Intensiva Veterinária, Hemodiálise e Diálise Peritoneal e soma mais de 15 anos de experiência em terapia intensiva de pequenos animais.

Ao longo da carreira, participou de mais de 400 sessões de hemodiálise e 100 sessões de diálise peritoneal, atuando também com telemedicina para todo o Brasil.


Referências Científicas

  • IRIS CKD Guidelines (2023)
  • Bartges JW. Vet Clin North Am Small Anim Pract. 2012.
  • Sparkes AH et al. J Feline Med Surg. 2016.
  • Hall JA et al. J Vet Intern Med. 2014.
  • Polzin DJ. Vet Clin North Am Small Anim Pract. 2011.

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Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores são as chances de preservar a função renal e oferecer qualidade de vida ao seu animal. Nossa equipe está preparada para conduzir quadros de Doença Renal Crônica, Lesão Renal Aguda (LRA), Hemodiálise e Diálise Peritoneal.

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